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Caro Sr João Sandrini.

 

Nos apegamos ao seu direito de dizer não, ou simplesmente sequer responder a nosso pedido de resposta, para tornar igualmente público nosso ponto de vista em relação ao artigo - Reforma da Previdência pune servidor público (é por isso que você deveria apoiá-la) de 28/02/19.

Enumeramos apenas tres de inúmeros argumentos para dizer que o senhor está mal informado ou age por motivações outras que nos são desconhecidas.

1 – Iniciamos exercendo autocrítica e reconhecendo a necessidade de ajustes nas Estruturas Estáveis de Estado mas, há de se registrar,  o senhor e todos os brasileiros pudemos decidir com absoluta tranquilidade, nas últimas eleições, se levaríamos o país à extrema esquerda ou à extrema direita sem ter de nos preocupar com o Day After, o dia seguinte porque, qualquer que fosse o rumo decidido nas urnas o país continuaria e continuou funcionando normalmente. Graças a estas mesmas estruturas que o senhor quer punir como as responsáveis pelos males da nação.  O senhor está equivocado.

 

2 – Sr Sandrini, o Brasil está longe de ser o maior risco do planeta para, há décadas, ter as maiores taxas de juros deste mesmo planeta. Vemos falar muito pouco do verdadeiro maior custo do Brasil, os 40,66% do Orçamento da União gastos com Juros e Amortização da Dívida. Isto sim, seria o que o senhor chama de “nefasta concentração de dinheiro público nas mãos de poucos”. Defenda a Auditoria da Dívida prevista na Constituição e jamais realizada. A economia para a sociedade será estupidamente maior. Há também desonerações fiscais danosas, grandes devedores e muitas outras frentes de batalha a considerar.

 

3 – Ainda ressalvando que há ajustes a fazer ouso dizer que, numa das maiores críticas ao Estado, seu tamanho e baixa mobilidade para ajustes, reside sua maior virtude qual seja, a perenidade. Assim como um grande empresário e executivo da iniciativa privada, ao governar por exemplo, a cidade de São Paulo, não consegue em quatro anos transformá-la numa ágil Sociedade Anônima nós, na nossa infinita capacidade de elegermos mal nossos governantes não colocaremos lá alguém que em quatro anos, a destrua. O Estado assimila a alternância de forma a preservar a sociedade, suas instituições, sua memória e a não-solução de continuidade, sem descumprir as determinações de governos legitimamente eleitos.

 

Um empresário dá uma ordem na empresa e todos correm a cumpri-la porque as consequências se darão diretamente sobre seu patrimônio. Quem manda na empresa é o dono ou seu executivo maior, já na estrutura de Estado quem manda é a lei. Se o governante quiser mudar um procedimento ele tem de elaborar um projeto de lei, enviá-lo ao Legislativo onde, bem ou mal está representada toda a sociedade e, se aprovado, implementar a mudança.

 

A propósito, senhor Sandrini, temos de registrar a máxima de Ulisses Guimarães, que vaticinou nos anos 80: “Se você acha ruim o atual Congresso espere até ver o próximo”. E o Congresso caminha velozmente para perder sua principal virtude e razão de ser, a pluralidade, de estar ali representada toda a sociedade. Não é saudável que nenhum segmento social, qualquer que seja, tenha o domínio do Parlamento e isto está perigosamente próximo de acontecer. Isto posto, o projeto do governo quer tirar o quórum qualificado constitucional das matérias previdenciárias. Anote: um desastre social anunciado, até mesmo para os mercados que imaginam ser os beneficiários das mudanças.
 

Enfim, muito há a ser dito mas encerramos solicitando sermos recebidos, estruturas de estado aqui representadas, pelo senhor e por quem achar por bem para formatarmos com equilíbrio sugestões e encaminhamentos, pelo bem de toda a sociedade brasileira que já está suficientemente punida por décadas de desgovernos.

 

 

Antonio Carlos Fernandes Lima Junior - presidente
CONACATE Confederação Nacional Das carreiras e Atividades Típicas de Estado

em 01/03/19

Resposta a artigo do Infomoney

de  28/02/19